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A criança precisa de proteção.
O que acontece se a criança não encontra
em seu lar o continente necessário para o seu desenvolvimento
- antes que ela possa adquirir um quadro de referência?
Se não teve a família ou a escola como
referência para lhe fornecer a estabilidade de que necessitava
para transpor os essenciais estágios de seu crescimento pessoal
e está na rua, entregue à própria “sorte”?
Sem assistência adequada esta criança
tornar-se-á cada vez mais inibida no amor, cada vez mais deprimida
e despersonalizada, tornando-se por fim incapaz de sentir a realidade
das coisas, exceto a realidade da violência.
Como exigir da criança a qual foram negados
os alicerces básicos para a construção de sua personalidade,
tendo sido constantemente exposta a violências de todo tipo, que
ela sinta por si só o desejo de sua reconstrução,
ou que se adapte com facilidade a programas normativos sem objetivos
terapêuticos?
A terapêutica para essa criança está no
ambiente. Está no conjunto de cuidados que serão dispensados
a ela, que podem ser descobertos pela própria criança,
onde ela poderá experimentar de novo seus impulsos mais primitivos
e testá-los. É o ambiente que deve dar nova oportunidade
para re-significar suas vidas, que deverá restituir-lhes os direitos
de serem sujeitos, curando suas feridas, entrando nas suas desgraças,
tentando compreender como resistiram a tantas dores, a tantas privações,
como conseguem ainda sorrir, cantar, dançar.
O período para sua recuperação é longo!
A criança tem que adquirir confiança no ambiente, em um
ambiente especializado capaz de entender seu comportamento
e capaz de lhe oferecer oportunidade para resignificar suas dolorosas
experiências. |