HISTÓRIAS DE VIDA

 

D. L. - 28 anos

Tive uma juventude muito difícil. Após sofrer abusos por parte do meu pai, fugi de casa aos 10 anos, só com a roupa do corpo. Fui morar na Praça da Sé e nas ruas do bairro da República, no centro de São Paulo. No começo, pedia esmolas para poder comer e, graças a Deus, nunca passei fome. Mas, após cinco meses vivendo na rua, fui apresentada à minha pior inimiga: a droga. Entrei nesse mundo fumando maconha, o que logo perdeu a graça. Passei a cheirar cola, fumar crack, usar cocaína e heroína. Por muitos anos, minha vida girou em torno desse vício. Roubava para conseguir dinheiro e, dependendo da minha ‘nóia’ (grau de loucura causada pela droga), assaltava até loja.

Estava completamente perdida e sem forças para procurar ajuda. Foi quando a ajuda veio até mim — conheci a Márcia Dias, presidente da Associação Beneficente Santa Fé, que acolhe e trata meninos que vivem nas ruas da capital paulista. Ela me convidou para morar na associação, oferecendo cama, banho, comida... No entanto, o vício falou mais alto e, por cerca de dois anos, eu fugia quase todos os dias do abrigo para me drogar. Por sorte, a Santa Fé nunca desistiu de mim: eles sempre mandavam alguém me buscar.

Com o tempo, os integrantes da associação se tornaram a minha família e o espaço, um momento de equilíbrio, um verdadeiro lar para mim. Assim, fui deixando as drogas de lado. Aos 14 anos, engravidei da minha primeira filha, o que foi uma bênção para mim. Graças a ela e com o carinho e a atenção da Santa Fé, minha vida foi entrando nos eixos.

Voltei a estudar. Com essa experiência, aprendi que o amor ao próximo é a solução para quase tudo na vida. Hoje sou uma mulher realizada: trabalho como cabeleireira, me casei, tive outra filha e consegui comprar uma casa. Posso dizer que sou muito feliz!”


M.R. - 33 anos

“Fugi de casa pela primeira vez aos 8 anos. Aos 12, já tinha passado pela FUNABEM de Goiânia, de onde também fugi. Tinha medo de roubar, então me prostituí. Usei e vendi todos os tipos de drogas, exceto heroína. Mais tarde, acabei presa por assaltar, pela primeira vez, um fliperama.

Quase morri no tráfico. Só me consertei depois de adulta. Isso foi possível porque na Santa Fé me deram uma oportunidade. Todo mundo tem jeito quando se dá oportunidade de mudar.” 


F.S.A.L.- 17 anos

“Gostei da atenção, carinho e amor que tive das educadoras. Sempre fui bem tratado, principalmente pela coordenadora. Sempre gostei dos passeios, principalmente do cinema que eu nunca tinha ido.

Apesar das regras da casa serem boas, eu não cumpri. Mas gostei muito desta casa. Foi a melhor que eu já passei.

Sem contar a amizade dos adolescentes. Espero que sejam felizes. Aprendi a respeitar as crianças, recebi bons conselhos dos educadores, principalmente da coordenadora.

Aprendi que as coisas não funcionam do jeito que eu pensava e aprendi que não se consegue nada com violência e arrogância.

Amo este abrigo”

 

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