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“São estranhos, trombadinhas, pivetes,
delinqüentes...”
... diz a sociedade que não os reconhece simplesmente como crianças
e adolescentes.
São apenas crianças, mas que “estão” nas
ruas, que crescem sem ter onde morar, nem alguém para lhes
proteger, cuidar, educar e amar. Para sobreviverem, desenvolvem nas
ruas não só um modo de vida, mas também uma cultura
da qual pouco se entende. A essas crianças e adolescentes são
negados todos os direitos previstos no nosso Estatuto.
Nossa experiência ao longo de mais de doze
anos permitiu comprovar que meninos e meninas “que vivem nas
ruas” apresentam características próprias de organização
de vida, valores, formas de pensamento e desenvolvimento mental.
Existem dois grandes grupos de crianças em
trânsito pelas ruas: as que moram nas ruas, com suas famílias,
embaixo de viadutos, ou simplesmente desacompanhados, em geral com
vínculos familiares inexistentes ou tênues. E existem
os que passam o dia nas ruas, acompanhados por adultos ou não.
Sua realidade é:
• Se deslocam o tempo todo – fugindo
e sendo seguidos pelos exploradores, abusadores de toda sorte;
•
Trabalham em média 10 horas/dia, 25 dias/mês – “esmolés”,
limpadores de pára-brisas, guardadores de automóveis,
engraxates, vendedores, malabares etc.;
•
Sofrem abuso sexual ou f ísico;
•
Alguns praticam furtos e assaltos e estão a serviço
do tráfico, numa visão de que roubar é mais digno
que mendigar;
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Muitos fazem uso regular de drogas.
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